terça-feira, 14 de abril de 2009

Velha infância

Entre um filme, uma conversa despretensiosa com meu pai e um climinha de chuva, eu dormia. Podia sentir preguiça (sem culpa) e ficar o dia inteiro em casa que ninguém iria me ligar querendo saber o porque do meu sumiço. Estava em Quixeré, isso bastava.
Por causa dessa minha preguiça diurna, ontem eu não consegui dormir a noite. Li um texto sobre teatro que tinha levado sem muita pretensão de ler e quando já estava entediada, vi uma foto minha com o meu pai num porta-retrato, que certamente já tinha visto, mas que nunca tinha parado para pensar o quanto eu tinha mudado daquela foto até agora.
Na foto, era natal, eu deveria ter meus 12 anos e eu ainda morava em Quixeré. Eu comecei a imaginar quais eram os meus conflitos da época, o que era a coisa mais importante na minha vida naquele dia, mas principalmente se eu sentiria orgulho de ser quem eu sou hoje.
Olhei cada detalhe, meus olhos, meus dentes, meu cabelo, minha bochecha, meu peito, o jeito que estava abraçando o meu pai...
Aquela foto me respondeu muitas perguntas que estavam me consumindo por eu ter esquecido quem eu era, ter esquecido a minha historia, que é linda e cheia de pessoas especiais que ainda por cima me amam. Tinha esquecido que para algumas pessoas, a minha vida é a vida delas. Me senti importante e cuidada. Such a feeling!
Me fiz bastante perguntas, chorei, senti saudades de ser criança... e fui dormir sabendo que mesmo tendo mudado tanto, ainda era aquela menina da foto, cheia de sonhos e com uma vontade imensa de ser feliz.

E então pude responder a minha pergunta principal.


bjo
Karla Brito